E como anda "Que PAÍS é
esse?" nos anos 2000?
Acredito, e espero que o leitor
conheça a música do mestre Renato Russo "Que país é esse?
"
Música forte, de impacto
social, lançada em uma época (1987) em que a população não era acomodada, não
tinha medo de falar o que pensava e ir atrás dos seus direitos. Não acho de
maneira alguma que a música seja "mais uma besteira dita por Renato"
como ouço muito por ai. Talvez nos dias de hoje sim, quem escute, se quer
entenda o significado da letra, mas na década de 80, essa, foi o símbolo de uma
geração, de uma luta, de uma causa.
Creio eu, que há muito tempo,
está ocorrendo uma inversão de valores. Jovens cantando músicas como
"tchetchereretchetchê" ou “tumtumtumtumtum” que como diriam alguns da
geração coca-cola, “músicas que parecem discos riscados” e achando que estão abafando.
Afinal, pensam eles, jovens, “se o país vai mal, se há milhares de pessoas
morrendo de fome, não é culpa minha né?” ou “Eu vou ouvir minha música no meu
carro, beber minha cerveja e tudo vai ficar bem. O mundo não acaba esse ano?
Então por que me preocupar?”.
A sociedade, a partir dos anos
2000, não sabe o que é democracia, então, não a usa. Não sai às ruas fazer algo
que pode, ou não, ser de utilidade pública. Ainda pior, são aqueles que com
peso na consciência, postam correntes em redes sociais, e acham que vão salvar
o mundo. Em uma aba estão salvando o mundo, em outra estão com o site de
fofocas a mil, pois o relevante é saber qual famoso estava fazendo compras em
Copacabana. Por favor, salvem esse cérebro. Cultura inútil está cada vez mais
valorizada, e “ai de quem vá contra”. Se você é do tipo de pessoa que não
concorda com o que eu estou falando, por favor, não finja que é com uma
"curtida" nas redes sociais. Você só esta querendo ser legal, o
ativista da nova era. O Che Guevara da era das mídias sociais.
O que muitos não sabem é que
para realmente fazer algo significativo, você não precisa aparecer, nem contar
pra ninguém. Você pode começar dando concelhos a uma criança de rua, sua caridade
estará no seu coração para sempre. Sua imagem passa minutos depois, ninguém irá
se lembrar.
Falam que a educação vem de
casa, concordo. Mas em um mundo em que os pais estão cada vez mais jovens e
despreparados, eu começo a achar que a educação de verdade, era na época dos
nossos avós, e bisavós. É, a época do “tapinha”. No tempo em que grande parte
do avanço tecnológico, não vinha para causar um curto circuito na cabeça de
jovens e crianças, impossibilitando-as de pensar por si, de formar uma opinião.
Tornando-os papagaios, cada vez mais cedo, em uma sociedade onde o que é moda,
é o correto, se você conseguir dinheiro com isso, então está tudo bem.
Mas onde eu realmente quero
chegar com esse papo de pais e crianças, é que a as pessoas estão formando sua
personalidade, algumas até de gerações antes da minha, estão alienadas, não
estão preparadas para cantarem uma música, que é um hino da liberdade de
expressão, como "Que país é esse?".
Enquanto elas se perguntarem
"que pais são esses, os meus, tão caretas"! Não vão ter preparo algum
para enfrentar e lutar por um país, que lhes foi dado de presente, que foi
construído com sacrifício e por pessoas que pensavam em deixar para a futura
geração, cada vez melhor.
O que não sabiam é que essa
geração seria estragada por esse comodismo. Esse Brasil deixado para nós, com
máscara de perfeito, alegre e rico. Engana os preguiçosos, e os faz deitar no
travesseiro todas as noites, e sonhar que está tudo bem. Mas é só um sonho.
Quando você acordar e parar de se perguntar se os valores que realmente
importam, os passados por sua família estão corretos, você poderá passar para a
segunda fase, a segunda pergunta, aquela que faz você pensar como uma pecinha
para a sociedade, que faz pensar sobre quais atitudes você pode tomar para que
um dia o país, cante novamente, “Que país é esse?” entre outros, com objetivos
iguais aos da época de lançamento.